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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vida Plena - 3º Passo - Reduzir ao mínimo, a somente o essencial.

O Caminho eficiente é um Caminho em que se pode caminhar com certa fluidez.
Deve ser, além de tudo, um Caminho reto, simples, objetivo.
Em que se possa enxergar seu destino (ainda que esse não exista como seu fim).

De nada adianta sobrecarregar-se como rotinas complexas e estafantes, com estudos sem fim, conhecimento supérfluo e estéril.
O mais provável é que você não conseguirá cumprir tal programa.
Seja simples, vá direto ao ponto. Seja profundo e incisivo.
O Caminhante deve carregar pouco peso, pouca bagagem, se quer chegar rápido na próxima cidade.

Lembrando que, se a vida é Caminho, que seja ela também simples, mínima.

Mas essencial.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Liberte-se!

Não há outra alternativa a não ser limpar o tonal - a alma - de toda lama. Há mesmo que limpar-se da própria alma/tonal, livrar-se do próprio Eu ordinário - capa/jogo/personalidade/ego - e ficar somente com o EU - centelha divina, instância de DEUS.

Liberte-se!

Livre-se de todo construto/jogo que o construto base - sua personalidade, ou qualquer personalidade que sua mente, seu DNA, ou qualquer outro conceito que envolva regras e condicionamentos resolveu criar - resolveu criar, para interargir com o MUNDO.

Livre-se de qualquer amigo/parente/conhecido/você-mesmo que te limite que queira te enquadrar dentro de um JOGO. E mesmo que não queiram eles acabam limitando. O Outro serve para tomar-me como medida para mim mesmo.

Todos estão condicionados, presos a vários jogos que eles mesmos aceitaram/criaram... O homem (mensch) o mensurador procura sempre aprisionar... Dentro da sua pequena medida.
A "tosquice" do chamado ser-humano, o ser de humus, tirado do barro...

Não participe nem crie JOGOS. Não vista máscaras. Não crie nem atenda expectativas artificiais, estereotipadas, convencionadas pelo MUNDO. O EU transcendental não busca nem quer interagir com o MUNDO. Ele observa este pequeno mundo, tendo atrás de si e ao seu lado o vislumbre da Eternidade.
Portanto não posso simplesmente fazer o que o eu - ordinário - quero ou invento para "a vida". Mas o que EU - centelha divina, instância de DEUS, quer.

O eu ordinário, o individuatio, o jogo e ao mesmo tempo o joguete, é sofrimento. Sofrimento porque não pode, dentro de sua limitação, chegar ao Uno - à Unidade - a mesma Unidade de onde partiu. E sofrimento porque se tornou obsessivo e anti-natural.

Mas porque partiu? Para poder peceber a realidade partida deste MUNDO, perceber como realidade partida, seres e coisas individualizados e poder sobreviver (necessidade inerente à sobrevivência nesta "ralidade").
Mas porque partiu? Porque o Uno permitiu que partisse? Por advento do Tempo e antes ainda, por advento da Consciência, esse olhar num espelho (e sendo espelho é limitado em sua dimensão...) e por impulso lúdico/educativo: "Só quando tiverdes de todo me renegado retonarei a vós". Só conhecendo o sofrimento da realidade partida ele tem conhecimento para deixar-se retornar às águas primevas do Mar da Unidade. (onde moram os Gigantes, antagonistas e antecessores dos deuses do individuatio, deuses com formas humanas/mundanas).
Os deuses do individuatio...

A saber: quem eu SOU e o que é MEU.
Como ser individual, o eu ordinário não pode chegar ao Uno. Mas só como ser individual ele pode vislumbrar o Uno até estar imerso NELE.
A consciência, a individualidade, o ser é a única forma do Todo conhecer a si mesmo no Tempo.
Por que ele existe fora do Tempo e não conhece ou observa mas É.
"O iniciado só passa além da Visão do Anjo a uma verdadeira comunhão com ele quando percebe que é justamente a Visão que o separa d`Ele."

Mas como posso viver no MUNDO "não sendo do mundo"?
Percebendo que tudo (ou quase) no mundo tem sua semelhança no DIVINO. Buscar essa semelhaça nas coisas do MUNDO, se houver.
Transmutar.
E principalmente: buscar o EU transcendental.
E ouví-lo acima e sobre qualquer voz humana, qualquer eu ordinário, joguete de si e do MUNDO.


Exercícios:
Meditação zen - ver como os pensamentos somem como fumaça (são fumaça), não buscando-os nem lutando contra eles.
Desregular os relógios.
Mudar toda rotina diária, todo dia e também não mudar algum dia.
Observar se - numa situação - você se traveste do pequeno eu, da máscara e torna-se passivo em um Jogo qualquer.
Mudar seus trajetos constantemente.
Evitar repetições o máximo que puder.
Não deixar-se mensurar/limitar na pequena medida de outrem ou de si-mesmo. Ser como a nuvem que  - ainda que possamos vê-la - não pode ser aprisionada numa "sala". Ser sem-forma.

Citações:
"Não foi em vão que Cristo disse para os seus discípulos: "Deixa tudo, Vem e segue-me". Cristo arrancava assim as pessoas de suas rotinas diárias e os iniciava nas coisas que essas rotinas adiam durante a vida toda. Levava-os para passear no deserto, atravessava os rios, ficar acordado à noite. Com isso Cristo fazia os discípulos mudarem a sua percepção de mundo, pois estavam sempre atentos, não sabiam o que iam comer, nem quando nem onde, seus pensamentos entravam em outra viagem, cheia de visões, de verdades, de premonições. "
""um homem de conhecimento" pode fazer o que quiser, desde que o faça com desprendimento, isto é , sem obsessão."

oração da Luz Verdadeira - purificação

Senhor, Deus, Um, O Que É

Luz Verdadeira da qual
este Sol é luz similar, em escala infinitamente menor
dando forma a toda e a cada coisa, diante do meu olhar

Luz que é a verdadeira Luz - purifica-me
Dê-me a Forma verdadeira - e eterna.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ensaio de uma Pararealidade

Compreendendo...

A realidade é consciência.

Há o aspecto físico, psicológico, anímico, transcendental...

no entanto é tudo Energia.

Focando em certo aspecto ou qualidade da realidade você chega a uma outra consciência sobre esta.

Você abre uma porta para outro cômodo.

A realidade é uma paisagem vista através de janelas. Quem assiste é Um só, mas de várias e diferentes janelas.

A realidade é algo que precisa ser testemunhado e por mais de um.

Vários cômodos formam um imenso hotel - todo feito de espuma de sabão. Dependendo de seu foco (aonde você faz pressão) as bolhas contíguas (cômodos) estouram mas ao mesmo tempo geram novas bolhas.

O ser-humano abre sua janela pra realidade ao tornar-se indivíduo, ao adquirir consciência. E assim ao mesmo tempo o Um emula deixar de ser Um para tornar-se parte.

E assim rompe algumas bolhas de sabão ao mesmo tempo que gera outras tantas.

O indivíduo, humano, particiona-se em físico e extra-físico (psique, alma, eu ordinário) e em eu ordinário e eu transcendental (que o Um É, mas não é o Um).

Fantástico jogo de revelar ao esconder. A mágica só pode ser mostrada ao público se houver o truque, o "engodo".

Então o Um torna-se outro, através de máscaras, da linguagem e do tempo, do indivíduo. Esse indivíduo insere-se em um contexto, para que possa enxergar cada objeto da criação (que ele mesmo co-cria, com sua consciência): assim pode apreciar uma flor, sem ver na flor o Infinito, pois em princípio e fim, Tudo está em tudo.

A vontade/o desejo e a certeza/a fé tornam a realidade o que é. O segundo alimenta-se do primeiro porque o primeiro é Fogo criador. O segundo interfere na realidade através do Ar (Logos do indivíduo para o Logos universal), como ondas que se propagam, alinhando-se a outras ondas; da vibração do Universo, do Verbo, que reverbera.

O Logos, o Verbo é muito mais que linguagem, verbal, humana (a qual é só uma pálida imagem do Verbo); O Logos é Verdade. É um senso de Entendimento. O qual, como partes do Um, compartilhamos, através da consciência.

É possível, no entanto, à consciência indidual, ao indivíduo, acessar o Um, A Verdade, parar o Tempo, ver a paisagem por completa, o truque por trás da mágica (e vice-versa)???

Os xamãs já há muito tempo podiam deixar-se levar pelo mar do Um, dissolvendo seu eu ordinário através de consumo de substâncias enteogênicas/psicotrópicas.

Uma instância desse Um é o Eu transcendental, o Eu que assiste.

Através da meditação os zen-budistas puderam entrever o seu brilho dourado nos espaços vazios entre o formar e o dissolver dos pensamentos.

Esse Um, voltando aos estados xamânicos, é Tudo e encontrado em tudo, porque tudo é consciência, e a consciência é Una, ainda que disfarçada em "parte". Assim o xamã, após dissolver o seu ego nesse estado oceânico, podia tornar-se pássaro, felino, falar com árvores, e ler a mente da comunidade. Ele tem acesso à matriz, onde estão inscritas as fórmulas do processo.

O Um É o que É, seja o que tornar-se, pois ele É a própria força do SER e do TORNAR-SE. Está portanto no não-tempo, na não-linguagem, na não-individuação. Para ele a mágica não precisa do seu truque.

No entanto a qualidade inerente à realidade é ser compartilhada (e co-criada). Consciência quer dizer "saber com" e o Logos como um senso de Entendimento, de Verdade e mesmo de Beleza, também, de forma inerente, é compartilhado.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O ORGULHO E SUA CURA

Jinána, karma e bhakti (conhecimento, ação e devoção) são essenciais para realizar Deus, o desejado objetivo da vida. É através do conhecimento e da ação que a devoção é despertada, o que leva o homem à Bem-aventurança Suprema. Enquanto a devoção está livre de qualquer defeito, o conhecimento e a ação podem criar algumas dificuldades. A aquisição do conhecimento freqüentemente faz um homem ficar preguiçoso e orgulhoso, enquanto karma pode tornar o homem orgulhoso. A menos que um aspirante espiritual seja capaz de se livrar desses defeitos, ele não pode se estabelecer em kevala bhakti (devoção completa), que é absolutamente essencial para a realização de Deus. Os sábios, portanto, adotarão uma conduta que os livre dos efeitos maléficos do conhecimento e da ação.

Observou-se que aqueles que se empenham na aquisição do conhecimento perdem contato com a natureza prática das coisas. Sua constante preocupação com livros os torna preguiçosos e letárgicos e eles evitam o trabalho. Isto, eventualmente, os leva à queda. A regra de ouro para se livrar dos próprios defeitos é criar o sentimento oposto na mente e colocá-lo em prática. Portanto, para evitar a preguiça será necessário trabalhar arduamente. O trabalho é a manifestação da Entidade Suprema e, assim, todos terão de trabalhar, e trabalhar cada vez mais e mais. O trabalho, aqui, não significa qualquer ocupação que não dê resultado. O trabalho é trabalho apenas quando é dirigido ao bem estar coletivo. Somente isto livrará o homem dos efeitos maléficos da preguiça e letargia. O orgulho que surge pela aquisição do conhecimento tem também sérias repercurssões na vida humana. Pode levar a queda completa do indivíduo. O orgulho é principalmente de três tipos, e cada um deles tem resultados desastrosos.
O primeiro tipo de orgulho é a vaidade, que surge quando uma pessoa pensa que merece mais do que está conseguindo, o que o faz desenvolver uma atitude arrogante em relação aos outros. Quem se entrega a isto, perde seu julgamento discriminativo, exatamente como acontece a um bêbado. O homem é diferente do animal, apenas porque possui discriminação e intelecto. Assim como um bêbado perde gradualmente esta inestimável qualidade, um homem cheio de orgulho também se torna privado desta faculdade. Como a perda da faculdade racional é contra as virtudes humanas fundamentais, beber é um pecado. Da mesma forma o orgulho é também um pecado e leva à decadência do individuo.
Auto-engrandecimento é o segundo tipo de orgulho. Ao ficar cheio de vaidade, a pessoa quer projetar sua imagem de maneira exagerada. Freqüentemente, ouve-se alguém dizer que tem uma rosa do tamanho de um balão em seu jardim, quando a rosa real pode se do tamanho de uma bola de pingue–pongue. A entrega constante a esse tipo de atividade converte a mente à materialidade.
O terceiro tipo de orgulho é o prestígio, que é o desejo de se fazer conhecido. A pessoa espera atenção de todos e anseia por nome e fama. Este estado mental pode ser facilmente comparado com a condição mental de um mendigo. O mendigo pede dinheiro dos outros enquanto que a pessoa que almeja prestígio mendiga que os outros a respeitem. Tal desejo é realmente sem significado e sem valor.
Tendo analisado vários tipos de orgulho e seus efeitos prejudiciais, é necessário examinar os meios de se livrar desses defeitos. Caetanya Maháprabhu (um grande santo da Índia) deu um método psicológico para o indivíduo se livrar do mal do orgulho. Orgulho é realmente uma doença mental, e as pessoas que sofrem dessa doença requerem um tratamento psicológico regular. Para se livrar do orgulho, a pessoa deverá forma o hábito de ser polido e humilde. Assim como uma palha que fica no solo, e, embora humilde, não perde sua importância, assim também, o homem nunca se tornará insignificante sendo humilde. Apenas a humildade como o da palha, salvará uma pessoa do orgulho.
Para evitar o orgulho é necessário também ter paciência e tolerância como a árvore que, ainda que podada, continua a dar uma sombra fresca. Uma pessoa que está sempre envolvida no pensamento do seu próprio prestígio deve aprender a pensar no prestígio dos outros. Jamais deve esquecer que respeito gera respeito e que deve sempre honrar aqueles que não são honrados por ninguém. Esta prática constante removerá os efeitos prejudiciais do desejo pelo prestígio. O método mais fácil de fazer isto é fazer namaskár (saudação) primeiro e não criar uma situação em que você cumprimenta em resposta.
Um homem que está cheio de vaidade e arrogância e que se ocupa sempre com o auto-engrandecimento pode melhorar apenas utilizando seu tempo em kiirtan. Se ele se dedica ao kiirtan, não terá tempo para criticar ou escandalizar ninguém e para se engrandecer por comparação. Assim há uma necessidade para tal pessoa fazer kiirtan* ao máximo, para que não tenha tempo de se ocupar com a abominável atividade de crítica.
Portanto, o aspirante espiritual que tem Deus como objetivo deve sempre lutar para se livrar da letargia e do orgulho, e obter os plenos benefícios do conhecimento; deve trabalhar para fazer crescer e avivar a devoção, que é o único caminho para o final da jornada. Ele terá que se engajar em atividades de bem-estar coletivo, praticar as qualidade da humildade, paciência e tolerância, aprender a honrar aqueles que não são honrados por ninguém e organizar e participar de kiirtan.
“Não se pode conhecer coisa alguma, a menos que se desenvolva a psicologia do “eu não sei”. Este é o espírito fundamental de um verdadeiro aspirante espiritual."

*Kiirtan é o cântico de um mantra com a ideação no Ser Supremo("Amor infinito é tudo o que existe"). Transmite um sentimento de bem-aventurança e prepara a mente para a meditação, pois ao fazê-lo estamos a direccionar todos os nossos orgãos sensoriais e motores para o Supremo. Pode ser feito em qualquer local e a qualquer hora, mas o ideal é fazê-lo sempre antes de meditar.

 
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