Compreendendo...
A realidade é consciência.
Há o aspecto físico, psicológico, anímico, transcendental...
no entanto é tudo Energia.
Focando em certo aspecto ou qualidade da realidade você chega a uma outra consciência sobre esta.
Você abre uma porta para outro cômodo.
A realidade é uma paisagem vista através de janelas. Quem assiste é Um só, mas de várias e diferentes janelas.
A realidade é algo que precisa ser testemunhado e por mais de um.
Vários cômodos formam um imenso hotel - todo feito de espuma de sabão. Dependendo de seu foco (aonde você faz pressão) as bolhas contíguas (cômodos) estouram mas ao mesmo tempo geram novas bolhas.
O ser-humano abre sua janela pra realidade ao tornar-se indivíduo, ao adquirir consciência. E assim ao mesmo tempo o Um emula deixar de ser Um para tornar-se parte.
E assim rompe algumas bolhas de sabão ao mesmo tempo que gera outras tantas.
O indivíduo, humano, particiona-se em físico e extra-físico (psique, alma, eu ordinário) e em eu ordinário e eu transcendental (que o Um É, mas não é o Um).
Fantástico jogo de revelar ao esconder. A mágica só pode ser mostrada ao público se houver o truque, o "engodo".
Então o Um torna-se outro, através de máscaras, da linguagem e do tempo, do indivíduo. Esse indivíduo insere-se em um contexto, para que possa enxergar cada objeto da criação (que ele mesmo co-cria, com sua consciência): assim pode apreciar uma flor, sem ver na flor o Infinito, pois em princípio e fim, Tudo está em tudo.
A vontade/o desejo e a certeza/a fé tornam a realidade o que é. O segundo alimenta-se do primeiro porque o primeiro é Fogo criador. O segundo interfere na realidade através do Ar (Logos do indivíduo para o Logos universal), como ondas que se propagam, alinhando-se a outras ondas; da vibração do Universo, do Verbo, que reverbera.
O Logos, o Verbo é muito mais que linguagem, verbal, humana (a qual é só uma pálida imagem do Verbo); O Logos é Verdade. É um senso de Entendimento. O qual, como partes do Um, compartilhamos, através da consciência.
É possível, no entanto, à consciência indidual, ao indivíduo, acessar o Um, A Verdade, parar o Tempo, ver a paisagem por completa, o truque por trás da mágica (e vice-versa)???
Os xamãs já há muito tempo podiam deixar-se levar pelo mar do Um, dissolvendo seu eu ordinário através de consumo de substâncias enteogênicas/psicotrópicas.
Uma instância desse Um é o Eu transcendental, o Eu que assiste.
Através da meditação os zen-budistas puderam entrever o seu brilho dourado nos espaços vazios entre o formar e o dissolver dos pensamentos.
Esse Um, voltando aos estados xamânicos, é Tudo e encontrado em tudo, porque tudo é consciência, e a consciência é Una, ainda que disfarçada em "parte". Assim o xamã, após dissolver o seu ego nesse estado oceânico, podia tornar-se pássaro, felino, falar com árvores, e ler a mente da comunidade. Ele tem acesso à matriz, onde estão inscritas as fórmulas do processo.
O Um É o que É, seja o que tornar-se, pois ele É a própria força do SER e do TORNAR-SE. Está portanto no não-tempo, na não-linguagem, na não-individuação. Para ele a mágica não precisa do seu truque.
No entanto a qualidade inerente à realidade é ser compartilhada (e co-criada). Consciência quer dizer "saber com" e o Logos como um senso de Entendimento, de Verdade e mesmo de Beleza, também, de forma inerente, é compartilhado.